sábado, 12 de março de 2022

A PONTE DA VILA CLARA

Tenho um fascínio por tudo que diz respeito a Viação Férrea. Sou bem saudosista quando falo em trens de passageiros, gare, estação e trilhos. Quem, na infância, viajou de Santiago a Ramiz Galvão, para visitar a avó e tomar banho no Rio Pardinho, sabe do tipo de saudade que estou falando. Não é apenas uma viagem de trem, é um sentimento que não se explica. Então, causa uma tristeza quando me deparo com uma estação abandonada, sofrendo as intemperes e o descaso do poder público.


Também sou admirador das pontes férreas. Elas propõem uma contemplação e introspecção e eram  a parte mais emocionante das viagens. Pelo menos para um piá na janela do vagão da primeira classe. [ Por gentileza, não vamos ideologizar a crónica]. Eu sou filho de ferroviário.
Mas vamos falar sobre a ponte da Vila Clara. Já fazia um bom tempo que estava na minha lista para conhecer. Ela liga as cidades de São Pedro do Sul e Mata sobre o rio Toropi. Hoje, apenas, uma silenciosa balsa faz a travessia dos carros. A ponte vista da balsa é, simplesmente majestosa.
Construida no final da década de 30 do século passado, ela possui 146 metros de vão livre e, por muito tempo, foi o maior vão livre em concreto armado da América Latina.
Consta que algumas pessoas colocaram em dúvida a capacidade da ponte, para garantir o engenheiro ficou embaixo durante a passagem do trem de passageiros na inauguração.
Caminhamos pela ponte na direção Mata a São Pedro do Sul e uma chuvinha foi o presente que deixou uma paisagem especial para observar e clicar. O triste desta história é que a gente começa a travessia e termina no outro lado com os trilhos encobertos pelas macegas. A imagem diz tudo: o fim de um ciclo. Aqui a Maria-Fumaça não apita mais na ponte.
Mas a ponte da Vila Clara continua lá, imponente...monumental...uma bela obra de arte a recepcionar os turistas de ocasião. E um sentimento filho de ferroviário.

ATHOS RONALDO MIRALHA DA CUNHA
Escritor
Diário de Santa Maria/ 11/03/22  

Na luta sempre!!!

terça-feira, 1 de março de 2022

MAS É CARNAVAL

Dedico a escrita da coluna quinzenal " Plural", nesta terça de Carnaval, para uma reflexão que diz muito sobre nossa humanidade. Em pleno sábado de Carnaval, recebemos a notícia  de um decreto editado pelo governador do Estado do Rio Grande do Sul, retirando a obrigatoriedade de uso de máscaras para crianças de até 12 anos.
Confesso que, ao ter conhecimento do decreto, inúmeras  inquietações vieram a minha mente, como, por exemplo, tal decisão é feita com que base  científica? Que interesses estão colocados para uma decisão sem o mínimo de diálogo com a comunidade científica e para  com a comunidade escolar? Onde estão os interesses coletivos  para com a saúde da população gaúcha?
Pois bem, caro governador. As inquietações são muitas  e vamos às informações construídas  com base científica. A Academia Americana de Pediatria (AAP), o Centro Americano de Controle  de Doenças, o National Health Service  (NHS) possuem documentos atualizados em janeiro de 2022 que recomendam o uso de máscaras  por crianças acima de 2 anos. A Sociedade Brasileira de Pediatria  também defende está mesma posição.
Mas ao ler o decreto, deparo-me com uma citação justificando o argumento central de recomendação do ano de 2020, desconsiderando as pesquisas   recentes  que estão embasando as orientações atuais  das entidades acima citadas, por exemplo. Em um cenário de voltas às aulas presencial, de altas taxas de contaminação pela variante  Omicron e de baixo percentual de vacinação da população infantil, pode ter um desfecho trágico.
Mas é Carnava. O decreto editado no apagar das luzes de um sábado de Carnaval é um sinal trocado.
Sem ouvir os órgãos e autoridades de saúde pública do Estado, não poderia vir em pior momento . Em um cenário ideal, máscaras de Carnaval e máscaras adequadas para evitar a contaminação  contra a Covid-19 poderiam ser prioridade, além, óbvio, de um investimento em espaços adequados no ambiente escolar. Junto a isso, que se façam mutirões de vacinação nas escolas  para promover uma campanha de conscientização para a volta às aulas  em segurança .
Governador Eduardo Leite, revogue o decreto já !

SUELEN AIRES GONÇALVES
Socióloga e professora universitária
Diário de Santa Maria, 01/03/22

Na luta sempre !!

 



FOI AMOR, SIM

Foi amor, sim, não tinha como não ser, foi de um momento para o outro, ocorreu aquele momento que paralisou minhas retinas, cristalizou meus...