Foi uma foto e me pareceu que era uma imagem que já conhecia.
As batidas do meu coração ficaram aceleradas, como um tambor em festa barulhenta.
Foi uma magia, me senti um guri novamente, me enamorei, com aquele turbilhão que ferveu no meu corpo.
É aquele momento de encantamento que jamais me esquecerei, sei que não foi por acaso.
Um encontro de almas, uma conexão química.
Aquele sorriso, aqueles cabelos, a voz macia, aquela boca , aquela pele branca , e um corpo lindo, pequena grande mulher.
Um sorriso que parecia um canto de uma música que tocava em acordes inesquecíveis toda vez que eu a via.
Foi...foram ...momentos inesquecíveis vividos a cada segundo, a cada momento de uma intensidade vulcânica, ela e eu, eu e ela.
Não foi entusiasmo , foi a primeira vista, um encantamento recheado de algo indiscritivel, era uma nova vida, uma nova esperança, um novo dia a cada alvorada ,um novo sol que iria nascer todos os dias mais, vivo, mais quente, mais incandescente como as areias do deserto , uma nova lua, a cada gota de noite, bordada por cintilantes estrelas de um novo céu de muito amor.
Foi amor, sim. Foi verdadeiro,foi forte, foi intenso sempre nas horas das manhãs,nas horas das tardes, das noites, das madrugadas companheiras.
O pensamento voava...em busca de você, viajava, sonhava, queria você, queria sempre, quiz sempre.
Era um nó, era uma corrente de aço que se formou um elo...pois foi amor, sim .
Uma paixão solta das patas, que não tinha rédeas para ser domada...tipo daquelas para toda a vida, todo o sempre, que nos confins dos campos, das distâncias de léguas e lonjuras ficaram perdidas, sem rumo, sem direção mas eternizadas no meu coração, enraizadas no corpo, nos olhos, no sentimento vivo que brotou,cresceu, solidificou, e ficou timbrado eternamente nos segredos do amor que o tempo levou, e o vento espalhou, a cada palmo de terra, estrada, mar, rios, campos,e que a memória, o pensamento junto com as lembranças ficaram intactas no coração,percorreu e ficou no retrovisor da vida, como um filme que não teve a oportunidade de ser concluído.
Foi amor, sim.
Faltou o beijo naquela boca linda, o toque naquela pele, o afago nos belos cabelos, ter aquele corpo que o instinto de macho sempre quiz.
Foi amor, sim.
Foi, encanto, foi magia, foi e foram tudo intensamente vivido, do jeito que foi...mas foi amor, sim.
Hoje encostado no moirão do alambrado, vendo os bichos na invernada soltos, a procura dos seus pares, fica a certeza que a vida, é um continuar de nossas procuras.
Nossas perdas , nossos danos, nossos ganhos, ficam aqui e ali, para serem medidos.
Nunca medi...apenas aceitei, pois , não temos o direito de lutar pelo que um dia se viveu...e se perdeu...aconteceu..se foi.
O vento, o vendaval levou, como um trovão, um terremoto que chegou arrancando tudo da gente, ficando apenas um filme guardado numa gaveta velha da memória.
O tempo passou..e o tempo não marca a hora, a nossa hora, quem sabe amanhã, ou um outro dia talvez.
As vezes no caminho de nosso tempo , que nossos pés timbraram a estrada percorrida a gente não tem como deixar de lembrar de nossos erros cometidos, as vezes, somos levados a erros que não tem conserto e o tempo pune, nos pune.
Ah...o tempo!! O tempo não volta para o conserto de erros, ele talvez nos faz um pouco mais medrosos, pois a gente não quer errar mais, talvez porque agora não tem mais importância...passou.
Foi amor, sim .
Esse vivente, esse homem, que contou essa história não o vi mais.
Faz tempo que não o vejo. Não sei por onde anda, deve estar por aí, deve estar contando aqui e ali, nos lugares que ele passa, contando suas histórias .
A última vez que o vi estava na rodoviária me disse que ia viajar.
Iria para um lugar escrever suas passagens , vivências
Perguntei pra onde, mas ao término do chimarrão cuiudo que sorviamos, apenas disse ele..: -Vou por aí " pro fundo da grota" até outro dia amigo do peito, cuide-se.
Antes de ele sumir, vi o chapéu gaúcho sumindo na sombra da noite , e não pude deixar de perguntar:
- E agora, o que fará amigo?
- Não sei, foi um grande engano cometido.
- De quem ?
- A vida fez eu cometer um erro.
Depois disso eu o perdi de vista.
NA LUTA SEMPRE !
