Nenhum jogador consagrado tinha denunciado sem papas na língua os amos do negócio do futebol. Foi o esportista mais famoso e popular de todos os tempos quem rompeu barreiras na defesa dos jogadores que não eram famosos nem populares.
Esse ídolo generoso e solidário tinha sido capaz de cometer , em apenas cinco minutos os dois gols mais contraditórios de toda a história do futebol. Seus devotos o veneravam pelos dois: não apenas era digno de admiração o gol do artista , bordado pelas diabruras de suas pernas, como também, e talvez mais, o gol do ladrão, que sua mão roubou. Diego Armando Maradona foi adorado não apenas por causa de seus prodígios malabarismos, mas também porque era um deus sujo, pecador, o mais humano dos deuses. Qualquer um podia reconhecer nele uma síntese ambulante das fraquezas humanas: mulherengo, beberrão, comilão, malandro, mentiroso, fanfarrão, irresponsável.
Mas os deuses não se aposentam, por mais humanos que sejam.
Ele jamais conseguiu voltar para a anônima multidão de onde vinha.
A fama, que o havia salvo da miséria, tornou-o prisioneiro.
MARADONA foi condenado a se achar MARADONA e obrigado a ser a estrela de cada festa, o bebê de cada batismo , o morto de cada velório.
Mais devastadora que a cocaína foi a sucessoina. As análises,de urina ou de sangue , não detectam essa droga.
"MARADONA FOI O MAIS HUMANO DOS DEUSES", ESCREVEU EDUARDO GALEANO
" Qualquer um poderia reconhecer nele uma síntese ambulante das fraquesas humanas" anotou o escritor uruguaio EDUARDO GALEANO.
EDUARDO GALEANO
Esse texto do escritor Eduardo GALEANO, sobre Diego Maradona tem repercutido intensamente nessa quarta-feira (25), data em que o ídolo mundial do futebol morreu , aos 60 anos, vítima de uma parada cárdio-respiratoria .
O trecho consta do livro " "Espelhos : uma história quase universal", publicado em 2008, no Brasil pela L&PM Editores, texto que está acima :
NA LUTA SEMPRE!!
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