quarta-feira, 25 de novembro de 2020

"ESPELHOS: UMA HISTÓRIA QUASE UNIVERSAL"

MARADONA
Nenhum jogador consagrado tinha denunciado sem papas na língua os amos do negócio do futebol. Foi o esportista  mais famoso  e popular  de todos os tempos  quem rompeu  barreiras  na defesa dos jogadores  que não eram famosos nem populares.
Esse ídolo generoso  e solidário tinha sido capaz de cometer , em apenas cinco minutos os dois gols mais contraditórios  de toda a história do futebol. Seus devotos o veneravam pelos dois: não apenas  era digno  de admiração o gol do artista , bordado pelas diabruras de suas pernas, como também, e talvez mais, o gol do ladrão, que sua mão roubou. Diego Armando Maradona foi adorado não apenas por causa de seus prodígios malabarismos, mas também porque era um deus sujo, pecador, o mais humano dos deuses. Qualquer um podia reconhecer  nele uma síntese  ambulante das fraquezas  humanas: mulherengo, beberrão, comilão, malandro, mentiroso, fanfarrão, irresponsável.
Mas os deuses não se aposentam, por mais humanos que sejam.
Ele jamais  conseguiu voltar para a anônima multidão de onde vinha.
A fama, que o havia  salvo da miséria, tornou-o prisioneiro.
MARADONA foi condenado a se achar MARADONA e obrigado a ser a estrela de cada festa, o bebê de cada batismo , o morto de cada velório.
Mais devastadora que a cocaína foi a  sucessoina. As análises,de urina ou de sangue , não detectam essa droga.
"MARADONA FOI O MAIS HUMANO DOS DEUSES", ESCREVEU EDUARDO GALEANO

" Qualquer um poderia  reconhecer  nele uma síntese ambulante das fraquesas humanas" anotou o escritor uruguaio EDUARDO GALEANO.

EDUARDO GALEANO

Esse texto do escritor Eduardo GALEANO, sobre  Diego Maradona tem repercutido intensamente  nessa quarta-feira (25), data em que o ídolo mundial do futebol morreu , aos 60 anos, vítima de uma parada  cárdio-respiratoria .
O trecho consta do livro " "Espelhos : uma história quase universal", publicado em 2008, no Brasil pela  L&PM Editores, texto que está acima :

NA LUTA SEMPRE!!




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