terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

PRESERVEM O MEU DIREITO DE DIVERGIR

Está muito difícil conviver socialmente  e buscar  entendimento sobre o que pensamos e sobre o que somos. As redes sociais  e os novos tempos da comunicação de massa nos tornaram mais próximos , e isso foi muito bom para a convivência entre nós. Entretanto, o que surgiu com a nova tecnologia, que era para ajudar, também acarretou outro tipo de problema, até então desconhecido. Somos instados a ficar calados  para não sermos submetidos a execracão pública, pelo menos nas redes.
Se não aderirmos ao que dizem, somos tratados como inimigos, indesejados para o convívio. Não
servimos para o grupo se não pensamos como eles,e somos atropelados literalmente  pelos que pensam diferente de nós. Sofremos um bullying, na essência.
O que surgiu  nos espaços sociais como direito legítimo para expor idéias, discutir divergências, enriquecer conhecimento, acabou  chato e perigoso e corremos o risco  de não haver  mais espaços para ninguém porque, invariavelmente, a discordância de falar o que pensamos pode resultar em intimidação.
Até o conceito  de felicidade vai sofrendo seu revés.A sociedade, ou os que se dizem representantes  dela,andam  a nos dizer  como ser feliz agindo deste ou daquele modo. Apontam comportamentos e quem discordar  que engula. Então, discordar, comentar deveria ser livre como a contra argumentação, ninguém deveria ter medo de dizer o que pensa  com civilidade e receber  a divergência como normal, salutar e respeitosa. Porém, tudo ficou perigoso e caminha para o proibido . 
Pensar diferente ou defender  posições pode virar  caso para a justiça decidir..
Hoje, para se fazer qualquer comentário, temos que agir com cautela. Perguntar quais as preferências, ideias, credos, gênero, cor  comportamento antes de entabular uma conversa.
Corremos o risco de nos tornarmos frios,chatos, sem humor e sem graça. Os tios engraçados, os colegas imitadores, os " tiradores de sarro", "os contadores de piadas", " os gozadores" e até os "apelidadores" estão sendo perseguidos. Hoje, temos uma minoria que vive escondida  nas " catacumbas" dos  Whatsapps", nas conversas veladas, como cristãos sob Roma a ponto de virar antepasto de leões da mídia e de grupos. Um bullying.
Ficou perigoso rir, ser feliz. Não se discute idéias, ideologias, pensamentos. Se um " imagina" que o outro  não pensa de forma igual,logo, é execrado como pessoa  não mais pelo que pensa , porque isso  não mais interessa. Interessa é que, se não pensa como "boiada', não serve e, de preferência,deve ser eliminado do grupo.
Pelo direito de divergir com respeito, de não acompanhar  a "boiada",de fazer piadas, " de zoar" com os amigos. Pelo direito de pensar diferente sem ser acusado de repressor ou preconceituoso ou maldito. Pelo direito de pensar diferente e ser respeitado.

ALFEU BISAQUE PEREIRA
JUIZ DE DIREITO APOSENTADO
DIÁRIO DE SANTA MARIA
21/02/22

NA LUTA SEMPRE !!

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