Me vem a memória que o tempo vem me visitar e puxo uma cadeira preguiçosa e como parceria a cuia do chimarrão bem afeição, para desfilar em mim muitos momentos que a saudade me trás.
Era guri ainda, mas um gurizito comportado,magrito por demais,desde cedo, eu era muito tímido,e continuo na minha essência.
O cenário era a fazenda do meu avô Hildebrando, nas cercanias de Santa Brígida, em São Gabriel,a terra dos marechais.
Na campanha o costume era levantar cedo para a lida do campo e dormir cedo.
A noite quando chegava, jantavamos, a luz de lampião, não tinha televisão,nem rádio.
O que havia sempre até a hora do recolhimento para dormirmos, eram "os causos" aquelas histórias e estórias contadas para nós a mesa, pelo meu avô e minha avó Maria Lídia, a vovó Tutucha.
A memória me vem aos borbotões como um tropel de matungos correndo as coxilhas.
As mais contadas com suas nuances de quem contava era a do Negrinho do Pastoreio, tinha a das cobras que iam a noite mamar nas tetas das vacas, bah! A gente ficava de olhos arregalados e corria um medo tal que devido as circunstâncias a gente ia meio correndo pra baixo das cobertas.
Hoje adulto, dá uma saudade daquelas..daquele tempo maravilhoso onde não tem como esquecer !
A vovó Tutucha de manhã na hora do café, perguntava se tínhamos dormido bem ....e prontamente dizíamos sim, vovó e vovô se olhavam e davam aquele sorriso maroto....rsrsrs.
O café era um verdadeiro banquete, pão de casa, café passado na hora, aquele queijo caseiro, frutas, doces para misturar no pão, antes de tudo isso, um mexido arroz, feijão...farinha..."tutu" meu Deus!! Eu ao lemmbrar chego a lamber os beiços!! Rsrsrs!
Tinha na fazenda do meu avô muitas frutas, e praticamente era da terra que saia todo o alimento.
Minha avó Maria Lídia, era uma mulher pequenina, muito ativa...de muita personalidade, enérgica e doce ao mesmo tempo, era rígida nos costumes.
O meu vovô Hildebrando era um homem quieto, uma mistura linda tipo bugre, negro -indio, uma cor de pele parda, um narigão, sempre com seu palheiro e o seu banquinho nas horas de descansar da lida.
É uma pena que não se tem registros dessa época maravilhosa, fotos, vídeos.
Mas ainda bem que a memória me dá esse presente passando dentro de mim . É pra mim, uma benção lembrar desse tempo de grandes alegrias, e muito aprendizado junto aos meus avós.
Quando se juntavamos com nossos primos era uma festa, só alegria ...uma algazarra só.
Minha avó não gostava que a gente dizia nome feio e quando alguém dizia ela ficava muito braba.
Uma certa feita...o Júlio César, o Valandro, o José Eduardo, o Paulinho(Paulo Renato)o Marco Antônio, o Dolimar, o Sérgio, e o Jorge Fernando estávamos numa bagunça só nas imediações da casa, gritaria, e alguns nomes feios saía, minha vó Tutucha saiu correndo da cozinha, era perto do meio dia e pegou o Jorge Fernando e deu aquele sermão, chegou a pegar uma maçã e colocar na boca dele, para não dizer mais nomes feios. Não sei se o primo lembra disso!
Meus primos devem lembrar dessas lembranças!!
A lamentar foi a perda do primo Sérgio e do primo Paulo Renato recentemente
Vovó era um barato! Uma vovó que junto com meu vovô (eram os pais de minha mãe Cely) estão no meu coração sempre.
Tem tanta coisa que percorre em mim ..que a emoção chega forte desfilando tantos momentos que vivi e aprendi.
Minha amada e meu amado vovó Tutucha e vovô Hildebrando, obrigado por tudo!!
Sei que estão na luz de nosso Deus !!
NA LUTA SEMPRE!!