Confesso que, ao ter conhecimento do decreto, inúmeras inquietações vieram a minha mente, como, por exemplo, tal decisão é feita com que base científica? Que interesses estão colocados para uma decisão sem o mínimo de diálogo com a comunidade científica e para com a comunidade escolar? Onde estão os interesses coletivos para com a saúde da população gaúcha?
Pois bem, caro governador. As inquietações são muitas e vamos às informações construídas com base científica. A Academia Americana de Pediatria (AAP), o Centro Americano de Controle de Doenças, o National Health Service (NHS) possuem documentos atualizados em janeiro de 2022 que recomendam o uso de máscaras por crianças acima de 2 anos. A Sociedade Brasileira de Pediatria também defende está mesma posição.
Mas ao ler o decreto, deparo-me com uma citação justificando o argumento central de recomendação do ano de 2020, desconsiderando as pesquisas recentes que estão embasando as orientações atuais das entidades acima citadas, por exemplo. Em um cenário de voltas às aulas presencial, de altas taxas de contaminação pela variante Omicron e de baixo percentual de vacinação da população infantil, pode ter um desfecho trágico.
Mas é Carnava. O decreto editado no apagar das luzes de um sábado de Carnaval é um sinal trocado.
Sem ouvir os órgãos e autoridades de saúde pública do Estado, não poderia vir em pior momento . Em um cenário ideal, máscaras de Carnaval e máscaras adequadas para evitar a contaminação contra a Covid-19 poderiam ser prioridade, além, óbvio, de um investimento em espaços adequados no ambiente escolar. Junto a isso, que se façam mutirões de vacinação nas escolas para promover uma campanha de conscientização para a volta às aulas em segurança .
Governador Eduardo Leite, revogue o decreto já !
SUELEN AIRES GONÇALVES
Socióloga e professora universitária
Diário de Santa Maria, 01/03/22
Na luta sempre !!