sexta-feira, 13 de maio de 2022

OBSERVAÇÕES A PARTIR DO BIG BROTHER

Dentro da cultura brasileira , um traço marcante é a exaltação à humildade e ao sofredor , aquele que encontra diversos obstáculos e os supera. Este traço é emblemático em realities shows como o Big Brother, no qual, não raro, o vencedor é aquele que é excluído , que sofre e não fica exaltando suas características pessoais.
Ao analisar esses programas diz muito mais sobre o brasileiro do que sobre as pessoas que lá participam.
O confinamento gera comportamentos anômalos, pois amplia a irritabilidade, ansiedade, crises de pânico etc. Alguma das consequências do confinamento puderam ser sentidas por várias pessoas durante a pandemia e o isolamento que a mesma nos obrigou nos momentos iniciais. Somado ao comportamento anômalo natural dos participantes em isolamento, o Bic Brother " brinca" com as pessoas lá presas , através de desafios, criação de intrigas , pressão emocional, restrição alimentar e  tantas outras " armas " de desestabilização emocional.
Contudo, analisando a preferência da população em relaçao à votação e os discursos de justificativa , ali temos um quadro interessante de  análise. Aqueles que dentro do  ambiente de confinamento mantém alguns valores, não tentam " pisar "  nos colegas de confinamento, usam de forma moderada mecanismos de manipulação tendem a ter uma adesão maior do público.

ESPELHO SOCIAL BRASILEIRO
Segundo o pesquisador de Harvard Billy Bonnstetter, a principal característica dos empresários dos EUA para adquirir sucesso no mercado é a habilidade de manipular e persuadir. Em última instância, jogar com as pessoas parece ser algo importante quando o assunto é subir posições dentro da disputa do mercado. Além disso, uma pessoa ser cativante, ter discurso de vencedor e exaltar suas qualidades também é algo profundamente positivo na sociedade norte-americana. Na nossa sociedade, na contramão, exaltar qualidades e manipular representam os amálgama daquilo que é considerado negativo.
Uma justificativa possível para tal situação pode estar na nossa trajetória histórica e na diferença de organização social dos EUA e Brasil. Enquanto nos EUA o e.empresariado que suege, emerge do meio da sociedade, visto que não havia grande hierarquia social estabelecida, não havia um modelo colonial tal qual foi estabelecido no Brasil. Existe no imaginário social norte-americano que o empresário é um cidadão comum que, através de suas "qualidades", consegue vencer. Já no Brasil" historicamente, muitos daqueles que têm sucesso e detém as grandes fortunas vieram de famílias tradicionais, herdeiros de uma hierarquia oligárquica que distribuiu privilégios de forma desigual e sustentam esse privilégio até hoje.
Grande parte do sucesso financeiro brasileiro foi herdado e não conquistado. No caso do Big Brother,  quanto maior o calvário passado pelo participante , maior a identificação com parte significativa da população, que luta e sofre toda sorte de infortúnios diariamente . A votação do programa é, pirtsnto, o retrato de um país cheio de contradições nefastas.

MARCIO FELIPE MEDEIROS
Sociólogo e professor universitário
Diário de Santa Maria, 12/04/22

Na luta sempre!!



sábado, 23 de abril de 2022

O CALDEIRÃO POLÍTICO E INCERTEZAS

Essa semana o STF, julgou o caso de Daniel Silveira, PSL,RJ e o mesmo foi condenado por 10x1, perdendo seus direitos políticos e prisão em regime fechado. Quase instantaneamente, o Presidente Jair Bolsonaro editou um decreto de indulto da graça para beneficiar um de seus ferozes apoiadores e amigo.
E desde esse ato começou o conflito entre o poder executivo e o judiciário.
Na real esse ato tresloucado do presidente brasileiro é mais um ato de conflito de há muito tempo com o Judiciário. O presidente quiz com esse ato beneficiar seu amigo da política flagrantemente ilegal. O presidente da República tem em seu DNA não primar com atos democráticos. Foi para o confronto. Outros partidos entraram junto ao STF contra o ato do presidente Jair Bolsonaro.
É sabido que o presidente gosta de brigar, conflitar principalmente para ajudar e defender sua turma quando estão em posição difícil como esse deputado. Daniel Silveira.
Já disse nesse blog e em outros,  que o presidente já cometeu diversos crimes de responsabilidade, afrontando quase toda a semana o poder judiciário e seus membros, com sua tradicional boca que cospe impropérios muitos impublicáveis. 
Enquanto isso nos debruçamos nessa discussão e o País segue em mar revolto com o navio prestes a afundar.
Num ano eleitoral era para se discutir assuntos que interessa as nossas vidas diárias, a inflação, o preço do gás, os alimentos com preços criminosos, a gasolina e tantos outros problemas que interessam a população brasileira.
O que o presidente quer é conflito todo o dia. 
Sim ...essa história conflitante ainda terá outros capítulos.
Com um presidente que não respeita a Constituição de seu País, podemos esperar tudo.
E o povo? Bah...o povo que se lixe!

Na luta sempre!!

segunda-feira, 18 de abril de 2022

LUANNE - A PROFESSORA QUE NÃO PÔDE ENSINAR

Essa semana perdemos em Santa Maria uma jovem de sorriso largo, cheia de vida e energia, sonhava em ser professora, para mudar a realidade dos que a cercavam, LUANNE foi assassinada por ser mulher.
Não podemos  mais fugir, nomear o problema - feminicidio - é um passo fundamental para quebrar  a invencibilidade do tema, descontruir estereótipos discriminatórios e denunciar  a permanência dos assassinatos de mulheres por razões de desigualdade de gênero e raça.
Mas, além de nomear, é preciso conhecer sua dimensão e desnaturalizar práticas enraizadas nas relações pessoais e nas instituições, que contribuem para a perpetuação de mortes anunciadas.
Empregar a expressão ou criar o tipo penal "feminicidio" são estratégias importantes para diferenciar os assassinatos de mulheres do conjunto de homicídios que ocorrem  no país, tirando o crime da invisibilidade.
Assim,é possível enfatizar as características associadas às razões ligadas àsdesigualdades
para transformá-las, e, ao mesmo tempo, para conhecer melhor a dimensão do problema e os contextos em que morrem as mulheres.
Assassinadas por parceiros  ou ex, por familiares, por desconhecidos, estupradas, engananadas, esganadas, espancadas, mutiladas, negligenciadas , violadas por instituições públicas e pelas políticas públicas, são invisibizadas: mulheres morrem barbaramente todos os dias no Brasil.
Mortes anunciadas seguem acontecendo, mas os feminicidios não se convertem em uma realidade intolerável para o Estado e nem para grande parte da sociedade, que seja por ação ou omissão são cúmplices   na perpetuação de agressões contra mulheres que culminam  em mortes.
Os feminicidios acontecem tanto no âmbito privado quanto no público, em circunstâncias e contextos diversos,em que a discriminação e o menosprezo com a condição feminina assumem formas variadas, mais  ou menos evidentes.
Esse desprezo revela a intensidade da discriminação, os requintes de crueldade especialmente ligados a violência sexual, a imposição de sofrimento físico e o mais recorrente de todos:a tortura mental, normalmente com histórico de violências múltiplas anteriores ao episódio fatal .
O desequilíbrio que torna as mulheres mais vulneráveis a a determinados tipos de violência que podem resultar no feminicidio, como a violência doméstica e a sexual está baseado em concepções rígidas  e desiguais  de gênero - construções que determinam os comportamentos femininos e masculinos tidos como "socialmente adequados" em um determinado grupo, comunidade ou país.
A banalização da violência ou a culpabilização da mulher gera uma sensação de impunidade e até de aceitação daquele crime - quando existe  uma legitimação dos motivos, se de alguma forma o resultado foi "provocado" pela mulher que não cumpriu ou extrapolou o seu papel.
As próprias instituições encaram este crime  como um problema menor, portanto temos poucas ações de enfrentamento, com vasto campo de políticas públicas a serem implementadas .
Toda a minha solidariedade aos familiares e amigos da Luanne, toda minha solidariedade só mundo que perdeu  um pouco mais de esperança e toda a minha energia em buscarmos cada dia  mais políticas públicas  que possam alterar ao seu tempo, esse mundo cruel com as mulheres, que nos rouba futuros todos os dias. Por Luanne, Fernanda, Denise, Betania, Patrícia, Jaqueline, Maria, Tatiane, por mim, por ti e por todas nós.

JULIANE MULLER KORB
Advogada
Diário de Santa Maria, 14/04/22

Na luta sempre!!!
 

quinta-feira, 14 de abril de 2022

E POR FALAR EM VACINAS...

O tempo corre a galope ele tem seu caminho e todos nós também seguimos esse trajeto.
Nesse quase por imposição término de PANDEMIA, o quase normal parece que daqui a pouco será o total normal.
E o povo como é obediente, ele não tem sua resiliência, ele faz o que mandam os donos do poder.
Já está quase difícil ver alguém de máscara cruzando nossos caminhos por exemplo.
Afinal o poder econômico tem seus interesses numa economia capitalista,pois  é preciso vender não é mesmo? Temos que recuperar as perdas.A Páscoa batendo a nossa porta e logo ali se aproxima o dia das mães.
Como dizem muitos, " estou cansado de andar de máscara...usar álcool gel...eu quero é festere, abraçar.. beijar..entreveiro ...chega de cuidados...a pandemia acabou...ou está indo embora".
Não vi nenhuma autoridade médica, por parte de qualquer órgão oficial de governo falar sobre o afrouxamento sanitário e nem algo parecido nos nossos meios de comunicação. Cada um que se cuide ao seu bel prazer, nesse caso eu faço minha parte. E não é qualquer autoridade política que vai me e ditar normas sobre a minha proteção pessoal.
Com certeza a gente quer o fim desse estado de coisas mas com responsabilidade de todos e conforme a ciência, os cientistas nos balizam. Eu acredito na ciência!
Que possamos ter sim consciência social e nos cuidarmos.
Ainda há vacinação para a Covid-19, para a gripe, você sabe disso? Então vacine-se aproveite essa oportunidade para se proteger. Cuide-se!
Outro ponto que a gente pode colocar, doenças que lá atrás foram através de campanhas prevencionistas debeladas como o Sarampo, Rubéola, Poliomielite, Catapora e outras, hoje estão aparecendo no nosso meio. Ah ! a Dengue está em nosso meio também.
Muitas campanhas de prevenção, imunização foram aos poucos afrouxadas. Aliado a isso a falta de comprometimento de muitos pais e o negacionismo destes, não levam seus filhos para se vacinarem. E nesse interim também muitos idosos deixam de completar seu ciclo vacinal.
Ainda há mortes pela covid-19 e outras doenças.
Sabe ...vamos nos cuidar e cuidarmos dos nossos.

Na luta sempre !!


sábado, 12 de março de 2022

A PONTE DA VILA CLARA

Tenho um fascínio por tudo que diz respeito a Viação Férrea. Sou bem saudosista quando falo em trens de passageiros, gare, estação e trilhos. Quem, na infância, viajou de Santiago a Ramiz Galvão, para visitar a avó e tomar banho no Rio Pardinho, sabe do tipo de saudade que estou falando. Não é apenas uma viagem de trem, é um sentimento que não se explica. Então, causa uma tristeza quando me deparo com uma estação abandonada, sofrendo as intemperes e o descaso do poder público.


Também sou admirador das pontes férreas. Elas propõem uma contemplação e introspecção e eram  a parte mais emocionante das viagens. Pelo menos para um piá na janela do vagão da primeira classe. [ Por gentileza, não vamos ideologizar a crónica]. Eu sou filho de ferroviário.
Mas vamos falar sobre a ponte da Vila Clara. Já fazia um bom tempo que estava na minha lista para conhecer. Ela liga as cidades de São Pedro do Sul e Mata sobre o rio Toropi. Hoje, apenas, uma silenciosa balsa faz a travessia dos carros. A ponte vista da balsa é, simplesmente majestosa.
Construida no final da década de 30 do século passado, ela possui 146 metros de vão livre e, por muito tempo, foi o maior vão livre em concreto armado da América Latina.
Consta que algumas pessoas colocaram em dúvida a capacidade da ponte, para garantir o engenheiro ficou embaixo durante a passagem do trem de passageiros na inauguração.
Caminhamos pela ponte na direção Mata a São Pedro do Sul e uma chuvinha foi o presente que deixou uma paisagem especial para observar e clicar. O triste desta história é que a gente começa a travessia e termina no outro lado com os trilhos encobertos pelas macegas. A imagem diz tudo: o fim de um ciclo. Aqui a Maria-Fumaça não apita mais na ponte.
Mas a ponte da Vila Clara continua lá, imponente...monumental...uma bela obra de arte a recepcionar os turistas de ocasião. E um sentimento filho de ferroviário.

ATHOS RONALDO MIRALHA DA CUNHA
Escritor
Diário de Santa Maria/ 11/03/22  

Na luta sempre!!!

terça-feira, 1 de março de 2022

MAS É CARNAVAL

Dedico a escrita da coluna quinzenal " Plural", nesta terça de Carnaval, para uma reflexão que diz muito sobre nossa humanidade. Em pleno sábado de Carnaval, recebemos a notícia  de um decreto editado pelo governador do Estado do Rio Grande do Sul, retirando a obrigatoriedade de uso de máscaras para crianças de até 12 anos.
Confesso que, ao ter conhecimento do decreto, inúmeras  inquietações vieram a minha mente, como, por exemplo, tal decisão é feita com que base  científica? Que interesses estão colocados para uma decisão sem o mínimo de diálogo com a comunidade científica e para  com a comunidade escolar? Onde estão os interesses coletivos  para com a saúde da população gaúcha?
Pois bem, caro governador. As inquietações são muitas  e vamos às informações construídas  com base científica. A Academia Americana de Pediatria (AAP), o Centro Americano de Controle  de Doenças, o National Health Service  (NHS) possuem documentos atualizados em janeiro de 2022 que recomendam o uso de máscaras  por crianças acima de 2 anos. A Sociedade Brasileira de Pediatria  também defende está mesma posição.
Mas ao ler o decreto, deparo-me com uma citação justificando o argumento central de recomendação do ano de 2020, desconsiderando as pesquisas   recentes  que estão embasando as orientações atuais  das entidades acima citadas, por exemplo. Em um cenário de voltas às aulas presencial, de altas taxas de contaminação pela variante  Omicron e de baixo percentual de vacinação da população infantil, pode ter um desfecho trágico.
Mas é Carnava. O decreto editado no apagar das luzes de um sábado de Carnaval é um sinal trocado.
Sem ouvir os órgãos e autoridades de saúde pública do Estado, não poderia vir em pior momento . Em um cenário ideal, máscaras de Carnaval e máscaras adequadas para evitar a contaminação  contra a Covid-19 poderiam ser prioridade, além, óbvio, de um investimento em espaços adequados no ambiente escolar. Junto a isso, que se façam mutirões de vacinação nas escolas  para promover uma campanha de conscientização para a volta às aulas  em segurança .
Governador Eduardo Leite, revogue o decreto já !

SUELEN AIRES GONÇALVES
Socióloga e professora universitária
Diário de Santa Maria, 01/03/22

Na luta sempre !!

 



terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

PRESERVEM O MEU DIREITO DE DIVERGIR

Está muito difícil conviver socialmente  e buscar  entendimento sobre o que pensamos e sobre o que somos. As redes sociais  e os novos tempos da comunicação de massa nos tornaram mais próximos , e isso foi muito bom para a convivência entre nós. Entretanto, o que surgiu com a nova tecnologia, que era para ajudar, também acarretou outro tipo de problema, até então desconhecido. Somos instados a ficar calados  para não sermos submetidos a execracão pública, pelo menos nas redes.
Se não aderirmos ao que dizem, somos tratados como inimigos, indesejados para o convívio. Não
servimos para o grupo se não pensamos como eles,e somos atropelados literalmente  pelos que pensam diferente de nós. Sofremos um bullying, na essência.
O que surgiu  nos espaços sociais como direito legítimo para expor idéias, discutir divergências, enriquecer conhecimento, acabou  chato e perigoso e corremos o risco  de não haver  mais espaços para ninguém porque, invariavelmente, a discordância de falar o que pensamos pode resultar em intimidação.
Até o conceito  de felicidade vai sofrendo seu revés.A sociedade, ou os que se dizem representantes  dela,andam  a nos dizer  como ser feliz agindo deste ou daquele modo. Apontam comportamentos e quem discordar  que engula. Então, discordar, comentar deveria ser livre como a contra argumentação, ninguém deveria ter medo de dizer o que pensa  com civilidade e receber  a divergência como normal, salutar e respeitosa. Porém, tudo ficou perigoso e caminha para o proibido . 
Pensar diferente ou defender  posições pode virar  caso para a justiça decidir..
Hoje, para se fazer qualquer comentário, temos que agir com cautela. Perguntar quais as preferências, ideias, credos, gênero, cor  comportamento antes de entabular uma conversa.
Corremos o risco de nos tornarmos frios,chatos, sem humor e sem graça. Os tios engraçados, os colegas imitadores, os " tiradores de sarro", "os contadores de piadas", " os gozadores" e até os "apelidadores" estão sendo perseguidos. Hoje, temos uma minoria que vive escondida  nas " catacumbas" dos  Whatsapps", nas conversas veladas, como cristãos sob Roma a ponto de virar antepasto de leões da mídia e de grupos. Um bullying.
Ficou perigoso rir, ser feliz. Não se discute idéias, ideologias, pensamentos. Se um " imagina" que o outro  não pensa de forma igual,logo, é execrado como pessoa  não mais pelo que pensa , porque isso  não mais interessa. Interessa é que, se não pensa como "boiada', não serve e, de preferência,deve ser eliminado do grupo.
Pelo direito de divergir com respeito, de não acompanhar  a "boiada",de fazer piadas, " de zoar" com os amigos. Pelo direito de pensar diferente sem ser acusado de repressor ou preconceituoso ou maldito. Pelo direito de pensar diferente e ser respeitado.

ALFEU BISAQUE PEREIRA
JUIZ DE DIREITO APOSENTADO
DIÁRIO DE SANTA MARIA
21/02/22

NA LUTA SEMPRE !!

FOI AMOR, SIM

Foi amor, sim, não tinha como não ser, foi de um momento para o outro, ocorreu aquele momento que paralisou minhas retinas, cristalizou meus...