Também sou admirador das pontes férreas. Elas propõem uma contemplação e introspecção e eram a parte mais emocionante das viagens. Pelo menos para um piá na janela do vagão da primeira classe. [ Por gentileza, não vamos ideologizar a crónica]. Eu sou filho de ferroviário.
Mas vamos falar sobre a ponte da Vila Clara. Já fazia um bom tempo que estava na minha lista para conhecer. Ela liga as cidades de São Pedro do Sul e Mata sobre o rio Toropi. Hoje, apenas, uma silenciosa balsa faz a travessia dos carros. A ponte vista da balsa é, simplesmente majestosa.
Construida no final da década de 30 do século passado, ela possui 146 metros de vão livre e, por muito tempo, foi o maior vão livre em concreto armado da América Latina.
Consta que algumas pessoas colocaram em dúvida a capacidade da ponte, para garantir o engenheiro ficou embaixo durante a passagem do trem de passageiros na inauguração.
Caminhamos pela ponte na direção Mata a São Pedro do Sul e uma chuvinha foi o presente que deixou uma paisagem especial para observar e clicar. O triste desta história é que a gente começa a travessia e termina no outro lado com os trilhos encobertos pelas macegas. A imagem diz tudo: o fim de um ciclo. Aqui a Maria-Fumaça não apita mais na ponte.
Mas a ponte da Vila Clara continua lá, imponente...monumental...uma bela obra de arte a recepcionar os turistas de ocasião. E um sentimento filho de ferroviário.
ATHOS RONALDO MIRALHA DA CUNHA
Escritor
Diário de Santa Maria/ 11/03/22
Na luta sempre!!!